segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Quando sentes a falta de quem amas, sentes o vento mais frio. Quando sentes demasiados quilómetros entre nós, sentes a chuva a queimar. Consegues sentir o mundo a andar muito depressa e isso confunde-te, deixa-te tonto, sem orientação. Pensas que estás a correr na direcção contrária do movimento que sentes no chão. Deixa-te no fundo. Gritas, tentas juntar os pedaços da tua vida sem sucesso algum. Sentas-te, olhas para as pedras da rua e tentas contá-las. Os números invadem-te a cabeça e só pensas na pessoa que realmente amas. Com giz na mão, escreves o nome dela no ar quando poderias escrever no alcatrão da estrada. O ar transparente torna-se tão escuro que o vês voar com os teus suspiros. Todos os reflexos te parecem de duas pessoas, quando na verdade estás só. Seguras as lágrimas mas elas são mais fortes. Até elas também amam quem amas, até elas também querem quem queres. Elas só fogem de ti para encontrarem quem queres encontrar. No teu lugar, no vosso lugar, o vento não é frio, a chuva não queima, o mundo está parado, as pedras são incontáveis.

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